Há um raro senso de reparação atravessando os últimos capítulos de Três Graças. Depois de uma trajetória construída entre perdas sucessivas, violência social e afetos interrompidos, a novela conduz sua protagonista a um desfecho que mistura justiça, permanência e pertencimento. Nada acontece sem dor. Mas é justamente dessa travessia turbulenta que nasce a força emocional reservada para a reta final da trama da Globo.
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A primeira grande virada envolve a queda definitiva de Ferette e o peso moral carregado por Gerluce (Sophie Charlotte) até os instantes decisivos da história. Acusada pelo roubo da estátua As Três Graças, onde estavam escondidos os milhões do empresário, ela chega a ser condenada, embora consiga responder em liberdade graças à intervenção de Zenilda. A situação se torna ainda mais dramática quando Ferette sequestra sua neta numa tentativa desesperada de recuperar controle e poder. A bebê é salva por Paulinho e pelo delegado Jairo, enquanto o vilão termina baleado antes de ser levado para o presídio.
A segunda virada aparece numa cena de reconciliação íntima e simbólica. Gerluce finalmente se casa com Paulinho, encerrando uma história atravessada por medo, culpa e interrupções brutais. O casamento surge menos como um final romântico tradicional e mais como uma espécie de restituição emocional para dois personagens marcados pela sobrevivência. Em paralelo, a protagonista assume a presidência da Fundação Três Graças, consolidando uma vitória que ultrapassa o campo pessoal e alcança toda a comunidade da Chacrinha.
Já a terceira virada talvez seja a mais silenciosa de todas. Nos momentos finais de Três Graças, a novela abandona o desejo de vingança para apostar na reconstrução dos laços familiares. Joélly encontra estabilidade após anos de sofrimento, enquanto Gerluce encerra a trama livre das ameaças que a perseguiram desde o início. Ferette, agora de cabeça raspada no presídio, vira apenas vestígio de um poder corroído pela própria obsessão. E a protagonista termina a novela não como heroína idealizada, mas como alguém que resistiu ao colapso sem perder a própria humanidade.
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