Ela nunca escondeu o motivo que a levou ao confinamento: queria o prêmio e ponto. Foi com essa postura direta que Ana Paula Renault chegou à final do BBB 26 e, na noite de terça-feira (21), garantiu a vitória com 75,94% dos votos. Uma década após sua passagem pelo BBB 16, a participante retornou diferente, mas sem abrir mão da essência: intensa, transparente e disposta a levar o jogo às últimas consequências. Ao longo da temporada, sua sinceridade deixou marcas (dentro e fora da casa) e ajudou a construir uma trajetória que ainda levanta questionamentos sobre até onde ia sua estratégia.
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Segundo ela, não havia um plano rígido no início. A decisão foi observar primeiro e agir depois. Com o tempo, percebeu que muitos adversários escondiam suas reais intenções por trás de personagens cuidadosamente montados. Foi nesse ponto que sua postura mudou: em vez de criar uma narrativa própria, passou a desmontar as dos outros. Ao expor contradições e apontar incoerências, transformou o jogo alheio em seu principal instrumento, numa movimentação que dividiu opiniões, mas manteve o público atento.
“Entrei sem estratégia definida, porque achava que precisava sentir o elenco e o jogo. […] Minha estratégia acabou sendo expor a estratégia dos outros, porque desde o primeiro dia eu dizia que estava jogando. Muitos floreavam objetivos diferentes, pareciam ter vergonha de admitir que estavam lá pelo dinheiro, mesmo estando numa casa cheia de diamantes, ouro e dinheiro na decoração. Alguns forjavam personagens: um era o bom moço, a outra a gatinha… Eu observava isso e sentia a obrigação de expor para o público, para que nos julgassem de forma transparente. Então, meu jogo era expor o jogo dos outros e irritar quem me irritava”, conta em comunicado oficial.
Entre ironias, embates e comentários que muitas vezes confundiam até os colegas, Ana Paula encontrou uma forma peculiar de se manter firme. Os apelidos que criou e o tom provocativo não eram apenas entretenimento: funcionavam como defesa diante de julgamentos que, segundo ela, ultrapassavam a realidade. Ao perceber que seu sarcasmo nem sempre era compreendido, passou a usá-lo também como estratégia de desestabilização, uma maneira de provocar reações e, ao mesmo tempo, seguir no controle da própria narrativa.
“Me ajudava a não sucumbir. As pessoas tinham julgamentos muito fortes e distantes da realidade sobre mim, muitas vezes perversos, que me diminuíam. Se o público comprasse essas ideias, eu estaria ferrada para o resto da vida, e isso sempre martelava na minha cabeça. Então, quando vi que não entendiam meu sarcasmo e ficavam perdidos, percebi que era uma forma de irritar todo mundo e seguir firme”, explica a campeã.
Seus principais alvos foram participantes que, em sua visão, sustentavam uma imagem distante do que realmente demonstravam no jogo. Para ela, havia um descompasso entre discurso e atitude, especialmente quando as “máscaras” começavam a ceder. “Os dois [Alberto Cowboy e Jonas] se faziam de bons moços, defensores da moral e dos bons costumes, mas nós entendíamos que não era bem assim. Eles escorregavam quando esse personagem não estava presente. Tadeu sempre dizia: “a estratégia é de vocês”, e eu sempre respeitei o jogo de todos. Mas achava justo que o público visse também o que eles faziam quando a máscara estremecia. Minha estratégia era mostrar quem eles realmente eram“, ela continua. Já fora da casa, os planos revelados mantêm o mesmo tom imprevisível que marcou sua trajetória: cuidar de si, retomar a rotina e, como fez durante o reality, continuar reagindo a quem a provoca.
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