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Grazi Massafera dá aula em dose dupla e cala qualquer dúvida: de musa sedutora a vilã afiada, ela domina tudo

Entre o poder hipnótico de Dona Beja e a maldade saborosa de Arminda, atriz prova que atingiu o auge — e faz isso com um simples olhar

Publicado em 18/03/2026

Se ainda existia alguma dúvida sobre o talento de Grazi Massafera, ela acaba de ser enterrada — com direito a close dramático e trilha sonora de novela das nove. No ar simultaneamente em dois trabalhos completamente distintos, a atriz faz algo raro: não apenas se desdobra, ela reina.

De um lado, em Dona Beja, Grazi mergulha em uma personagem que exige presença, magnetismo e uma sensualidade que não é óbvia — é construída. E ela entrega tudo. Sua Beja não é apenas bonita (isso seria pouco), mas poderosa, autoritária quando precisa e, sobretudo, dona de um charme quase perigoso. É o tipo de interpretação que não depende de grandes falas: basta um olhar e está dito. Seduz, manipula, domina.

Claro, a personagem ajuda. Dona Beja é icônica, carregada de camadas e já teve uma intérprete à altura no passado: Maitê Proença. Mas o ponto aqui é outro — hoje, é difícil imaginar alguém que sustentasse essa personagem com o mesmo equilíbrio entre força e sedução como Grazi faz. Ela não copia, não revisita: ela recria.

Do outro lado, na novela Três Graças, da TV Globo, surge uma Grazi quase irreconhecível — e deliciosamente cruel. Sua Arminda é sua primeira vilã, e ela parece ter esperado o momento certo para isso. Nada ali é tímido: a maldade é bem desenhada, carregada na medida exata, com um toque de humor ácido que remete às grandes vilãs clássicas de Aguinaldo Silva.

Arminda não pede licença. Ela entra em cena já dominando o ambiente, com gestos calculados, expressões milimetricamente pensadas e uma consciência de cena que revela uma atriz no controle absoluto. É vilania com prazer — e isso, o público percebe.

O mais curioso é que, mesmo em extremos tão diferentes — a sedutora poderosa e a vilã quase caricata —, o que une as duas personagens é a maturidade da intérprete. Grazi chegou num lugar onde técnica e instinto caminham juntos. Nada parece por acaso.

E pensar que sua trajetória começou sob desconfiança. Revelada no Big Brother Brasil, ela rapidamente rompeu o rótulo de “ex-BBB” com uma carreira construída com disciplina e escolhas inteligentes. Vieram papéis marcantes, reconhecimento da crítica e até uma indicação ao International Emmy Awards, consolidando seu nome entre as grandes atrizes da televisão brasileira.

Hoje, Grazi Massafera não precisa mais provar nada — mas, ironicamente, é quando ela mais prova. Prova que evoluiu, que arrisca, que domina. E, principalmente, que sabe exatamente o que está fazendo.

No fim das contas, enquanto muita gente ainda discute “se ela é boa mesmo”, Grazi simplesmente vai lá e entrega duas performances que respondem por ela. Sem precisar levantar a voz. Basta um olhar.

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