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O que era pra ser um aceno nostálgico acabou virando motivo de estranhamento — e muita conversa nas redes. Acompanhamos recentemente em Três Graças, novela de Aguinaldo Silva, a aparição de dois personagens que o público conhece muito bem de outras histórias: o icônico Crô, de Fina Estampa, e ninguém menos que Téo Pereira, vivido por Paulo Betti em Império.
A intenção? Talvez homenagear universos que marcaram época. Mas para muitos internautas, a estratégia soou… esquisita. Afinal, estamos falando de personagens que já tiveram suas trajetórias encerradas em outros tempos, outros contextos — e que, inclusive, já contracenaram com os mesmos atores que hoje estão na nova trama, só que em papéis completamente diferentes. O resultado é um verdadeiro nó na cabeça do telespectador: é o mesmo universo? É outra realidade? Vale tudo pela audiência?
E se você acha que parou por aí, não parou.
Neste final de semana, Coração Acelerado resolveu entrar na onda e trouxe, de forma pra lá de aleatória, Téo Bastos, personagem de Bruno Mazzeo que fez sucesso em Cheias de Charme. Ele apareceu, deu o ar da graça… e não acrescentou absolutamente nada à trama. Pelo contrário: só aumentou a sensação de que a novela está tentando beber da fonte de um sucesso do passado — só que dessa vez, sem o mesmo efeito.
Na internet, muita gente torceu o nariz e levantou a pergunta que não quer calar: quando uma novela recorre a personagens de outras histórias, estamos diante de uma homenagem ou de uma evidente falta de criatividade?
Tudo isso, claro, faz lembrar de uma história antiga de bastidores: o convite que o próprio Aguinaldo teria feito a Renata Sorrah para reviver Nazaré Tedesco, a vilã eterna de Senhora do Destino. Na ocasião, segundo relatos, a resposta teria sido direta e cirúrgica: Nazaré viveu no tempo dela. Ela já não existe mais.

E talvez esteja aí a grande questão que as novelas insistem em ignorar. Nem todo personagem nasceu para atravessar o tempo — e, às vezes, trazê-los de volta só serve para lembrar que certas histórias funcionam melhor quando permanecem no passado.
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