A Globo se adianta no tabuleiro da tarde e já articula a próxima reprise para ocupar o espaço deixado por Rainha da Sucata. Não se trata apenas de preencher grade, mas de sustentar um desempenho que devolveu fôlego à faixa vespertina. No páreo, quatro títulos que dispensam apresentação e carregam consigo audiência, memória e alguma dose de catarse coletiva.
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América retorna ao radar com a assinatura folhetinesca de Glória Perez e o romance de Sol, vivida por Deborah Secco, com o peão Tião, papel de Murilo Benício, costurando imigração ilegal e melodrama rural. Amor à Vida surge amparada na força de Félix, interpretado por Mateus Solano, um vilão que extrapolou a tela e virou personagem do imaginário popular, daqueles que elevam a obra à condição de fenômeno.
A Dona do Pedaço também reivindica seu lugar com Maria da Paz, personagem de Juliana Paes, enfrentando a ambição da própria filha em uma narrativa que dominou conversas e redes sociais. Mas é Avenida Brasil que, nos corredores, ganha contornos de favorita. O embate entre Nina, de Débora Falabella, e Carminha, de Adriana Esteves, ainda pulsa como um dos confrontos mais emblemáticos da teledramaturgia recente.
A escolha final ainda não foi oficializada, mas há mais do que nostalgia em jogo. A Globo busca um título que dialogue com o presente sem perder o lastro do passado, algo que reative lembranças e, ao mesmo tempo, sustente números. A disputa interna é silenciosa, porém intensa. Afinal, na tarde da emissora, memória também é estratégia.
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