Eriberto Leão entrega em Êta Mundo Melhor! um trabalho de precisão rara ao reviver o vilão Ernesto. Não há excesso, não há caricatura. O ator domina o tempo da cena e entende que vilania não se constrói no grito, mas na intenção. Ernesto incomoda porque é verossímil, porque parece real demais. É o tipo de personagem que o público rejeita com gosto — sinal inequívoco de acerto.
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A troca de Eriberto com Flávia Alessandra é outro ponto alto da novela. Os dois atuam com escuta, algo cada vez mais valioso na TV atual. Um não atropela o outro. Pelo contrário: um cria espaço para o brilho do outro, numa dança cênica em que o conflito cresce sem precisar ser sublinhado. É ali, nesse jogo silencioso, que as cenas ganham força.
Eriberto Leão tem uma habilidade rara: navega entre o vilão e o mocinho sem nunca cair no exagero. Quando faz antagonistas, provoca rejeição imediata. Quando assume personagens centrais ou heroicos, conquista empatia e torcida. Essa versatilidade vem do controle técnico e da leitura fina do texto — ele sabe exatamente até onde ir.
Há ainda um contraste curioso que só reforça seu talento. Quem vê Ernesto em cena não imagina que Eriberto é um homem de fé, discreto, afetuoso e querido nos bastidores. Essa distância entre ator e personagem evidencia o quanto seu trabalho é construção, e não impulso. Eriberto Leão não interpreta: ele compõe. E isso faz toda a diferença.
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