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Elizabeth Savalla dá nova força a Cunegundes e rouba a cena em Êta Mundo Melhor!

A atriz equilibra humor ácido e densidade dramática ao reviver a icônica “dona boca de fogo”, sem cair na caricatura

Publicado em 04/02/2026

Elizabeth Savalla volta a vestir Cunegundes em Êta Mundo Melhor! com a segurança de quem sabe exatamente onde pisa. A personagem, criada em Êta Mundo Bom! (2016), reaparece afiada, ruidosa e avarenta, mas nunca rasa. Nas mãos da atriz, a temida “dona boca de fogo” segue sendo motor de humor, conflito e comentário social, sem cair no conforto da repetição.

Savalla domina o jogo. Entende o tempo da comédia, mas não se apoia apenas nele. Quando o texto pede exagero, ela entrega. Quando a cena exige freio, silêncio ou incômodo, ela sustenta. Cunegundes diverte porque é reconhecível, e incomoda porque é verdadeira. A atriz sabe que o riso só funciona quando vem carregado de intenção — e isso se nota em cada olhar atravessado, em cada frase cuspida com precisão.

Há também drama, ainda que diluído sob a máscara do humor. Savalla deixa escapar fissuras, pequenas rachaduras que humanizam a personagem e impedem que ela vire caricatura. É nesse ponto que a atriz se impõe: Cunegundes não é só vilã engraçada, é retrato ácido de uma mentalidade mesquinha, autoritária e resistente ao afeto.

O retorno da personagem confirma algo que a carreira de Elizabeth Savalla já ensinou há décadas. Grandes atrizes não repetem tipos, aprofundam figuras. Em Êta Mundo Melhor!, Cunegundes continua a mesma — e, justamente por isso, soa ainda mais atual.

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