Conheço Marina desde o tempo em que o brilho dos olhos ainda misturava medo e curiosidade. Ver agora a mulher e atriz que ela se tornou me enche de orgulho e ternura. Marina sempre foi observada, criticada, apontada — mas nunca desviou o olhar do essencial: o ofício. Em Tremembé, produção nacional disponível no Prime Video, ela não apenas interpreta uma assassina confessa. Ela mergulha nas sombras da mente humana e emerge inteira, sem perder a delicadeza que a define.
Veja também:
- Michael Jackson: O Veredito reabre um caso sem encerrar o debate
- Convocadas: o documentário da Globo que tira as “esposas dos jogadores” da arquibancada e as coloca no centro da narrativa
- Por que o caixão de Arthur Brandão estava lacrado em Quem Ama Cuida? Novela pode ter dado pista importante ao público
Há algo de poético na maneira como Marina entrega o corpo e a voz ao silêncio. Ela entendeu que o peso de um crime pode ser dito por um piscar contido, um toque hesitante, uma respiração mal disfarçada.
Sua Suzane é um espelho que nos devolve desconforto, pena, raiva e — talvez — compaixão. E isso é raro. Raro como as artistas que sabem calar o mundo com uma simples presença.
Marina Ruy Barbosa é, hoje, uma força madura da dramaturgia brasileira. E em Tremembé, ela prova que talento verdadeiro não grita, não se justifica, não precisa agradar. Apenas existe — denso, sereno e incontornável.
O conteúdo veiculado nesta coluna é de total responsabilidade do colunista parceiro. As opiniões e informações aqui expressas não são de responsabilidade do Grupo Observatório.
