Celtic X Rangers

Rivalidades: Peleja lança documentário sobre a rixa mais religiosa e política do futebol

Novo episódio da série mostra como o clássico escocês ultrapassa o esporte e virou um dos embates mais simbólicos do planeta

Publicado em 19/09/2025

Em Glasgow, na Escócia, o futebol nunca foi apenas um jogo, ele é só mais um capítulo em uma longa história de ódio e divisão. O encontro entre Celtic e Rangers, conhecido como Old Firm, reflete mais de um século de tensões religiosas, políticas e sociais.

Católicos de origem irlandesa de um lado, protestantes ligados à Coroa britânica do outro, a cada partida, a cidade parece se dividir em duas. Entre bandeiras, cânticos e provocações que atravessam gerações, o clássico escocês mostra como a bola serve apenas como um fio condutor para disputas muito mais profundas.

É justamente essa complexidade que o Peleja, referência em criação de conteúdo audiovisual esportivo, apresenta no novo episódio da série Rivalidades. Criada para investigar os confrontos mais intensos do futebol, a produção aposta em um olhar documental e narrativo, em que o placar é apenas um detalhe diante de questões maiores.

“Nos interessa entender por que um clássico atravessa décadas e continua tão relevante. A resposta quase nunca está apenas dentro de campo. Está na identidade de uma torcida, na política de uma cidade, nas escolhas que dividem uma comunidade inteira”, explica Murilo Megale, cofundador e Diretor de Conteúdo da Peleja Media.

A proposta do projeto 

Lançada com a ideia de mostrar o futebol de forma diferente, a série constrói cada episódio como uma investigação. O ponto de partida não é a escalação ou o resultado, mas a pergunta: o que faz esse clássico ser tão maior do que o jogo?

“Um GreNal ou um Dérbi não são só confrontos locais, eles são capítulos de história. Quando narramos uma rivalidade, estamos mostrando como as pessoas se identificam, se dividem e até se organizam em torno do futebol”, afirma Megale.

Essa abordagem transforma Rivalidades em algo raro no audiovisual esportivo brasileiro: um produto que une linguagem documental, jornalismo e narrativa cultural.

No capítulo mais recente, a equipe desembarcou em Glasgow para vivenciar de perto o Old Firm. O episódio mostra como a rivalidade entre Celtic e Rangers é alimentada por símbolos que extrapolam arquibancadas, o hino entoado, a cor da bandeira hasteada, a figura política venerada ou criticada.

De um lado, torcedores do Celtic que ironizaram a morte da rainha Elizabeth II. Do outro, fãs do Rangers que responderam com piadas sobre o Papa Francisco. A provocação, nesses termos, é mais do que rivalidade esportiva: é um embate de cosmovisões.

“Quando você está em Glasgow num dia de clássico, percebe que o futebol é só a ponta do iceberg. Existe uma tensão que está nas ruas, nos bares, na forma como as pessoas se olham. É uma experiência quase impossível de traduzir sem estar lá”, comenta Megale.

O episódio sobre o Old Firm não surge isolado. Antes dele, o Rivalidades já havia se debruçado sobre dois dos maiores clássicos do Brasil.

O primeiro foi o GreNal, em Porto Alegre, onde Grêmio e Internacional dividem a cidade em um embate que se confunde com a própria identidade do gaúcho. O segundo foi o Dérbi paulista, palco da rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, marcada por décadas de disputas que atravessaram estádios, bairros e famílias inteiras.

“Essas produções ajudaram a consolidar a proposta da série e mostraram ao público que rivalidade no futebol é, em última instância, um reflexo social”, destaca Murilo.

Futebol como espelho da sociedade

Ao avançar do Brasil para a Escócia, o Peleja reforça a ideia de que, onde quer que exista futebol, existirão rivalidades que dizem algo maior sobre quem somos. Para Megale, esse é o fio condutor que dá unidade à série.

“O futebol é um espelho. Cada clássico revela as tensões, os sonhos e até as feridas de uma comunidade. Quando contamos essas histórias, mostramos que a paixão pelo jogo é, na verdade, uma paixão pela própria identidade”, conclui Megale.

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