Nesta quinta-feira (26), chega aos cinemas, Terra de Ciganos, documentário dirigido por Naji Sidki que irá trazer uma imersão profunda na cultura e tradição cigana no Brasil, retratando a luta pela preservação desta tradição em meio ao processo de integração à sociedade brasileira.
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O diretor que possui uma conexão pessoal com a temática por conta de sua própria história familiar de migração e busca por aceitação concedeu uma entrevista exclusiva ao Observatório da TV e contou como enxerga o impacto do documentário para a valorização da cultura cigana. “O documentário tem músicas cantadas na língua do chibe, no caso dos Calons, e no romanês, no caso do Sinti, as duas etnias que tem no filme. E eu acho que isso é bem importante, principalmente no caso dos Calons, que tem essa língua que é a ágrafa, e que com o decorrer do tempo que eles estão no Brasil, há mais de 500 anos, a língua deles vem se degradando. Então, ter músicas em chibe, é um registro importante para eles verem a música cantada na própria língua deles, que não é comum no Brasil. Geralmente, as músicas dos ciganos são em português mesmo.”
“O filme também registra os derradeiros acampamentos de barraca; os ciganos cada vez mais moram em casa. Então isso foi uma coisa que a gente buscou na pesquisa do filme, rodamos durante um mês, mais de 10 mil quilômetros atrás de ciganos que moravam em barraca ainda, mas é uma coisa cada vez mais rara”, completou.
Naji Sidki também comentou sobre a experiência de filmar em diferentes regiões. “A experiência de filmar em várias regiões do Brasil foi um privilégio, né? O Brasil realmente é um país muito diverso, muito grande e muito rico. Em paisagens, biomas e locações mesmo para filmar, então, é uma riqueza muito grande, um privilégio. A gente foi desde a metrópole de São Paulo, passando pela Caatinga, até as cavernas de Terra Ronca, Bahia e Minas”.
“O lugar que achei o maior desafio foi filmar nas cavernas de Terra Ronca. Achei que foi um desafio de logística, um desafio de se locomover. Preocupações dentro da caverna, de iluminar, é muito difícil, né? Um ambiente escuro, escorregadio, as cavernas são gigantes. Tem vários caminhos dentro de cada caverna, então esse foi realmente um grande desafio”, destacou ele como a história em particular que o marcou você durante a produção.
O Brasil abriga a terceira maior população cigana do mundo, com cerca de 800 mil pessoas. Ainda assim, o povo cigano permanece amplamente invisível na sociedade brasileira. “Eu espero que o público brasileiro veja que os ciganos existem, que os ciganos realmente são um povo invisível dentro do Brasil, apesar de estarem aqui há tanto tempo, praticamente são invisíveis. E que o público veja que eles têm a própria cultura deles, a forma de viver, a própria língua e o jeito de fazer as músicas e que possam apreciar isso um pouco“, finalizou Naji Sidki sobre o que espera do público após assistir o documentário.
Terra de Ciganos traz uma produção da Veríssimo Produções e uma distribuição da Pandora Filmes.
