Túnel do tempo

Relembre as novelas que estavam no ar quando o Jornal Nacional estreou na TV Globo, em 1969

Havia variações na programação, mesmo entre praças próximas como São Paulo e Rio de Janeiro

Publicado em 16/09/2024

O Jornal Nacional foi lançado pela TV Globo em 1º de setembro de 1969, e até meados dos anos 1980 manteve o início de sua apresentação antes das 20h. Depois, o horário estabilizou-se às 20h, até que por volta de 2000 passou a 20h10, depois a 20h15 e finalmente a 20h30, faixa na qual ainda se encontra.

Naquela época, a transmissão não era feita simultaneamente para mais de uma praça. Foi justamente o Jornal Nacional que iniciou esse processo. Por essa razão, mesmo que as mesmas novelas estivessem em cartaz no Rio de Janeiro e em São Paulo, por exemplo, os espectadores de uma cidade assistiam a um capítulo e os da outra a outro. Via primeiro quem morasse na praça-sede da emissora produtora, em geral.

Em São Paulo, havia na ocasião novelas em exibição nas TVs Tupi, Globo, Record, Excelsior e Bandeirantes. A televisão vivia um boom de teledramaturgia, e praticamente todas as emissoras apostavam no filão.

A TV Tupi exibia a produção carioca Enquanto Houver Estrelas, escrita e protagonizada por Mário Brasini, às 18h30. Na sequência, às 19h, Nino, o Italianinho, de Geraldo Vietri e Walther Negrão, com Juca de Oliveira no papel-título.

Às 20h Beto Rockfeller, de Bráulio Pedroso, seguia a trajetória de êxito iniciada em novembro de 1968. E às 21h entrava no ar Nenhum Homem É Deus, de Sérgio Jockymann, protagonizada por Walmor Chagas.

Na TV Globo, a estreia do Jornal Nacional coincidiu com algumas mudanças na grade noturna. Estreada às 19h30 em julho, A Cabana do Pai Tomás, de Hedy Maia, baseada no romance de Harriet Beecher Stowe, mudou para 19h com a chegada do novo noticiário. A produção causou polêmica devido ao fato de que o personagem central, um negro escravizado, era vivido por um branco, Sérgio Cardoso.

Por sua vez, a novela das 19h também lançada em julho, A Ponte dos Suspiros, de Dias Gomes (com o pseudônimo Stela Calderón), baseada no romance de Michel Zevaco, passou no mesmo 1º de setembro para as 22h, inaugurando essa faixa. Rolando (Carlos Alberto) e Leonor (Yoná Magalhães) tinham seu romance atrapalhado pelas intrigas de Altieri (Jardel Filho), em plena Veneza, no ano de 1500.

Outra novela global na ocasião, às 20h, era Rosa Rebelde, de Janete Clair, transposta de radionovela de sua autoria. Na Espanha do tempo de Napoleão (Moacyr Deriquém), a rebelde Rosa (Glória Menezes) e o militar Sandro (Tarcísio Meira) viviam um grande amor.

A TV Record concentrava seus investimentos no gênero em uma grande novela de capítulos de uma hora, Algemas de Ouro, das 19h às 20h. Escrita por Benedito Ruy Barbosa e Dulce Santucci, a história tinha em seu elenco Lolita Rodrigues, Yvan Mesquita, Laura Cardoso, Maria Estela, Rolando Boldrin, Fúlvio Stefanini, Roberto Bolant, Márcia Maria, Reny de Oliveira e Altair Lima, entre outros.

A TV Excelsior ia mal, e deixaria de operar em 1970. Àquela altura, setembro de 1969, a emissora produzia três novelas, e os problemas faziam com que os atores se dividissem entre duas atrações, ou saíssem de uma para entrar em outra.

Às 18h30, A Menina do Veleiro Azul era uma radionovela de Ivani Ribeiro aproveitada pela autora para uma versão em TV, escrita também por seu marido Dárcio Ferreira. Ana Maria Blota e Maria Isabel de Lizandra viveram a protagonista Glorinha da infância ao começo da idade adulta.

Às 19h30, outra história desenvolvida pela autora: Dez Vidas, que por imposição da Censura mudou de horário para as 20h30. Nos dias da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (Carlos Zara), se empenhava na libertação do Brasil do jugo português.

Escrita por Vicente Sesso, Sangue do Meu Sangue estreou em fevereiro daquele ano às 19h, mas passou para as 20h também devido a problemas com a Censura.

Sua história passada nos últimos anos do Segundo Reinado trazia como protagonistas Francisco Cuoco em papel duplo, Carlos e seu filho Lúcio; Nicette Bruno como Clara, mulher de um e mãe de outro; Tônia Carrero como Pola, que se envolve romanticamente com pai e filho em épocas distintas; e Fernanda Montenegro no papel de Júlia, que sofria com o marido crápula Clóvis (Henrique Martins).

Na TV Bandeirantes, uma de suas últimas produções no gênero antes de uma pausa de 10 anos nos investimentos no setor. Escrita por Walter George Durst e Sylvan Paezzo e levada ao ar às 20h, O Bolha era centrada nas desventuras do azarão Nazim (Antonio Rafael), e sofreu com as dificuldades que se abateram sobre a emissora depois de um incêndio naquele ano de 1969.

No Rio de Janeiro, era a TV Rio que exibia naquele momento as novelas produzidas em São Paulo pela Bandeirantes. Na faixa das 17h, o Canal 13 carioca levava ao ar Era Preciso Voltar, de Sylvan Paezzo. Irina Greco, Edgard Franco e Maurício Nabuco interpretavam os papéis centrais.

A mesma TV Rio mantinha uma parceria com a TV Record, já que as duas emissoras eram administradas por membros da mesma família – João Batista “Pipa” do Amaral era cunhado de Paulo Machado de Carvalho. Às 18h, a atração era Algemas de Ouro.

A TV Tupi do Rio de Janeiro, Canal 6, levava ao ar Enquanto Houver Estrelas também às 18h30; Nino, o Italianinho igualmente às 19h; e Beto Rockfeller às 22h15.

Na TV Excelsior, Canal 2 carioca, às 18h45 tinha início o capítulo de A Menina do Veleiro Azul, novela seguida de A Muralha, de Ivani Ribeiro, baseada na obra de Dinah Silveira de Queiroz (19h10) e Vidas em Conflito, de Teixeira Filho (19h35), ambas àquela altura já encerradas em São Paulo. Já Sangue do Meu Sangue podia ser vista no Rio às 22h.

Na TV Globo, com Rosa Rebelde às 20h, a grande diferença diz respeito também às novelas A Ponte dos Suspiros e A Cabana do Pai Tomás. A segunda desde sua estreia carioca foi levada ao ar na faixa das 19h, seguida do telejornal – que antes da estreia do Jornal Nacional era o Jornal da Globo -, enquanto a primeira no Rio foi exibida desde o primeiro capítulo numa faixa que esta praça tinha, e a paulista não: a das 21h30.

Inclusive, foi apenas a partir de Verão Vermelho, de Dias Gomes, sucessora de A Ponte dos Suspiros – que estreou em novembro de 1969 no Rio de Janeiro e em janeiro de 1970 em São Paulo -, que a TV Globo unificou o horário de sua faixa mais tardia de novelas nas duas praças: 22h. Mesmo assim, depois de algumas semanas da nova história no ar.

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