Grupo Globo subestimou a força das Paralimpíadas. A cobertura poderia ter sido mais efetiva. Por conta disso, a cúpula da empresa promove uma reunião na próxima semana. No caso específico do Brasil, a excelente performance dos nossos atletas aumentou ainda mais o interesse pelas provas ao vivo, assim como o consumo por mais notícias e conteúdos relacionados.
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Esse público interessado não encontrou a profundidade que esperava na cobertura da Globo. O planejamento do grupo designou para a TV aberta apenas a transmissão das finais do futebol, condicionado à presença da seleção brasileira nesta fase. Para as demais provas, foi destinado apenas o SportTV2 que não deu conta de escoar as várias provas que ocorriam no mesmo horário gerando um “apagão” em momentos marcantes que ficaram de fora da transmissão ao vivo.
Para efeito comparativo, nas Olimpíadas, ocorridas no mês anterior, foram utilizados os quatro canais pagos esportivos, além da cobertura principal da própria Rede Globo, que suspendeu grande parte de sua programação para dar prioridade às transmissões ao vivo.
A exclusividade contratual impediu que as concorrentes acompanhassem as disputas ao vivo, mesmo quando a Globo não estava transmitindo. Nem o site do Comitê Paralímpico Internacional, que negociou os direitos com a Globo, pôde exibir as provas em tempo real. Ao contrário de outras partes do mundo, quem tentava acessar o site a partir de IPs brasileiros encontrava o acesso bloqueado.
Campeão de Audiência
O erro de avaliação soou logo na Cerimônia de Abertura, com índices de audiência surpreendentes para o Sportv2, permanecendo em alta nas principais provas e se estendendo até a Festa de Encerramento. Tido como um espaço secundário do grupo Globo, o canal atraiu cerca de sete mil novos assinantes durante o período de competição, segundo estimativas refeitas pela empresa.
Em quase todas as médias diárias, registrava cerca de 1,5 milhão de pessoas assistindo.
Graças à exclusividade alcançou o topo da audiência entre todos os canais pagos, superando os demais dedicados às atrações esportivas.
Prepotência Global
As mídias sociais foram inundadas por críticas e cobranças por um maior espaço destinado ao evento na Rede Globo com inevitáveis comparações com o tratamento dado ao Mundial Olímpico, ocorrido no mês anterior, na mesma cidade francesa.
Essas reclamações foram aumentando conforme os atletas brasileiros evoluíam na competição o que não pode ser atendido pela emissora já que uma grade de programação televisiva precisa ser elaborada com antecedência. Qualquer mudança, por menor que seja, gera grandes impactos nos setores de produção, continuidade e cronometragem.
A alternativa encontrada foi a intensificação dos flashes com informações e atualizações paralímpicas. Nesse sentido, a grade matinal favoreceu, já que é composta por telejornais e pelos programas Encontro e Mais Você, produtos ao vivo possibilitando aos seus condutores a interação com os repórteres esportivos e com os atletas entrevistados. A mesma dinâmica não teve como ser replicada a tarde ocupada por conteúdos gravados, como reprises de duas novelas e uma sessão de filme.
Trocar um pneu com o carro em movimento é sempre um desafio. Sendo assim, os ajustes tiveram que ser implementados sem alterar a grade de programação e a escala de profissionais, exigindo um visível esforço conjunto da equipe, com aumento das jornadas de trabalho, reescalonamento de horários e supressão de folgas dos que já estavam em Paris.
Perdas Financeiras
Apesar de ter pago pela exclusividade, a Globo conseguiu cobrir todos os custos com os Jogos Paralímpicos e ainda obteve um saldo positivo. Mesmo assim, a direção da empresa avalia os erros de prospecção por parte da direção de esportes, de planejamento e programação. O setor comercial também é criticado por ter subestimado o evento, que poderia ter sido melhor comercializado.
