No último sábado (1), Fred Nicácio refletiu sozinho no BBB 23 sobre não querer carregar o fardo do desejo de ter um pódio preto sozinho. Pois, não sente que os colegas compartilham da mesma vontade e se sente solitário na empreitada.
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Neste domingo, porém, na área externa, Dr. Nicácio tentou mais uma cartada. Muito emocionado, Fred desabafou: “Eu não queria que fosse por esse caminho essas coisas. A gente não ganhou Anjo, Líder, é capaz de ir duas pessoas daqui… Eu fico meio triste com isso, sabe? Eu tinha outros sonhos pra esse final de 20 e poucos dias. Eu senti que tá tudo indo água baixo tudo que eu tinha pensado. Eu queria fazer história aqui! Eu queria que esse Big Brother fosse marcado por uma revolução, por uma união diferente. E não tá acontecendo. Eu fico triste porque não tá na pegada que eu achei que pudesse ser feito. Eu me comprometi tanto com minhas falas, me expus tanto pra poder tentar aquilombar de uma vez por todas. É igual lá fora. Tem gente que se importa, tem gente que não se importa…”
Nicácio voltou a falar sobre querer fazer história: “É muito importante pra mim. Tinha muita chance, ainda tem, de fazer uma coisa histórica nesse Big Brother, um marco mesmo. E pode ser que isso não aconteça. Eu não vou gastar mais energia, sabe? Vou gastar comigo. Eu tô meio pensativo em relação a isso de desistir de um objetivo coletivo porque é muito importante pra mim.“
Chorando, o médico seguiu: “Ia ser tão incrível, sabe? A gente se unir de uma vez por todas e fazer história, sabe? A gente tem uma chance única! Que foi dada, entregue pra gente essa missão. E eu fico assim: ‘Gente, só eu acho que isso muito importante? Marcar uma história de um país inteiro? Não é possível que objetivos individuais sejam mais importantes que objetivos coletivos’. Eu não consigo entender! Não entra na minha cabeça!“
Motivador, Fred falou sobre a ancestralidade: “Se a gente chegou até aqui é porque nós somos sonhos dos nossos ancestrais! Alguém fez isso por nós. A gente tem que fazer isso por outros. É plantar, cara. É responsabilidade com o que nos foi dado na mão! Tá aqui na nossa mão! É maior do que a gente e parece que vai tudo pelos dados. Me deixa triste.”
“Eu acredito com o fundo do meu coração que é possível fazer revolução. É possível marcar história, marcar o país, marcar o Brasil. Eu vim aqui pra marcar o Brasil. Não por mim, mas pelo que é possível ser feito a partir de mim, sabe? Eu me desgasto, me consumo com isso. Tento não me consumir, mas é mais forte do que eu. Penso no que poderia gerar de frutos lá fora, de possibilidades pra inúmeras pessoas, de reflexões pra uma sociedade que parece que tá andando a passos de formiga. Eu vejo as chances postas à mesa e sumindo.”
Após dizer tudo o que estava engasgado, o médico diz compreender que nem todos têm o mesmo pensamento e não estão errados por isso.
Domitila Barros relembrou uma frase do amigo: “‘Nem todo mundo que é preto tem consciência racial.’ Você lembra que você falou isso?”
“Eu tenho um lema na minha vida: ‘Enquanto um dos meus for preso, eu também não tô livre’. Não entra, não encaixa em mim esse discurso individualista. Às vezes nem é consciente esse discurso individualista, mas eu tento chamar as pessoas pra coletividade. A força não está em andar sozinho. Do quê que adianta eu cruzar a linha de chegada, olhar pros lados e não ver pessoas iguais a mim? Eu sou burro de querer chegar no final e não ver pessoas iguais a mim? É burrice! Já foi impossível. Hoje não é impossível“, encerrou o médico.
