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Cultura oferece “preço de banana” por reunião de Castelo Rá-Tim-Bum; Oreo manda apagar anúncio

Coluna descobre lado nada romântico de homenagem a elenco de série infantil; saiba mais

Publicado em 07/02/2023

A reunião de Castelo Rá-Tim-Bum, que viralizou nas redes sociais, pode subir no telhado. A Mondelez, empresa que usa o elenco do programa para vender bolachas Oreo, mandou apagar o anúncio criado e compartilhado na web por Henrique Bacana, diretor de arte da Cultura, que revela a data de exibição na TV (25 de fevereiro). Procurada pela coluna, a marca internacional promete divulgar uma nota sobre o especial.

A chamada, publicada na última sexta-feira (3), mostra uma nova versão da abertura de Castelo Rá-Tim-Bum, recriada com elementos de computação gráfica, e termina com o ator Cassio Scapin, intérprete de Nino, falando o slogan da emissora pública: “Aqui tem Cultura”. Ele publicou o vídeo em sua rede social e, a mando da Mondelez, deletou a postagem. André Abujamra, autor da trilha sonora, também foi orientado a excluir o material, que permanece em seu perfil no Instagram.

O anúncio viralizou após este colunista divulgar no Twitter, sendo repostado por perfis verificados e páginas de fofoca, ultrapassando meio milhão de visualizações. Aparentemente, o especial pareceu homenagear os 30 anos das gravações de Castelo Rá-Tim-Bum, iniciadas em maio de 1993 (a série estreou em 9 de maio de 1994). No entanto, a data do tributo não passa de mera coincidência e foi um pretexto para a Cultura reunir o elenco e tentar um acordo financeiro constrangedor.

A emissora pública ofereceu ao elenco de Castelo Rá-Tim-Bum um “preço da banana”, expressão usada por quem participou da gravação. A coluna sabe o cachê e não irá-divulgá-lo, mas é um valor irrisório, ainda mais depois que a repercussão do reencontro foi comparada à reunião de Friends, em que cada integrante do sexteto protagonista recebeu US$ 2,5 milhões, segundo a revista Variety (R$ 13 milhões, na cotação atual).

Com muitos “zeros” a menos, a Cultura tentou convencer seus ex-artistas para o programa patrocinado. Eles se chocaram ao ler o contrato que, em resumo, liberava o uso indiscriminado da imagem como garotos-propaganda da Oreo, de peças publicitárias para TV e internet a exposição em supermercados e outras ativações da marca. Pior: a direção da emissora pública contava com a “gratidão” do elenco para concretizar a venda do Castelo à empresa norte-americana.

Revoltados, atores acionaram advogados para exigir seus direitos e reclamaram da dívida da Cultura pelas inúmeras reprises do programa sem o pagamento de direitos de imagem previsto na legislação audiovisual. A conversa com a Mondelez, em contrapartida, foi mais tranquila. Parte do elenco sugeriu, além dos ganhos pessoas, que o conglomerado alimentício revertesse parte de sua fortuna para fomentar o setor cultural. A marca registrou lucro líquido de US$ 583 milhões no quarto trimestre de 2022, e a receita líquida atingiu US$ 8,7 bilhões.

Cinthya Rachel, Cassio Scapin, Rosi Campos, Fredy Állan, Cao Hamburger e Fernando Gomes gravam Castelo Rá-Tim-Bum: Reencontro
Cinthya Rachel, Cassio Scapin, Rosi Campos, Fredy Állan, Cao Hamburger e Fernando Gomes gravam Castelo Rá-Tim-Bum: Reencontro

Paralelamente, um grupo de atores se colocou como “resistência” do Castelo, em reuniões no Teatro Oficina para discutir a preservação do legado do programa em meio à venda para a Mondelez. Para uma parcela do elenco, uma “parceria público-privada” como a que foi proposta à marca internacional pode significar a “salvação” do programa e dos valores pendentes da Cultura.

As brigas entre os atores do Castelo e a TV pública começaram logo após o fim das gravações, quando a série infantil foi reprisada à exaustão sem pagamento de direitos. O elenco também não recebeu um tostão pela bem-sucedida exposição no MIS (Museu da Imagem e do Som), em 2014, que ganhou segunda edição no Memorial da América Latina, em 2017. Por causa deste conflito, o programa não está no ar na TV aberta nem no canal pago TV Rá-Tim-Bum. O canal oficial do YouTube também foi esvaziado.

A divulgação e a gravação do especial ocorreram antes que todo o elenco disponível fechasse contrato com a Cultura e a Mondelez. Dos atores vivos, somente Luciano Amaral é uma ausência confirmada, em razão de seu vínculo com a Disney.

Em resposta à coluna, a Cultura negou ter oferecido “preço de banana” pela reunião de Castelo Rá-Tim-Bum. Leia o comunicado aqui.

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