Com Gabriel Fop, o BBB 23 seria “flop”. Eliminado com 53,3% dos votos na última terça-feira (31), o ex-integrante da Casa de Vidro salvou do fracasso uma das edições mais promissoras do reality show da Globo, reunindo celebridades obcecadas pela fama e anônimos desesperados pelo prêmio milionário.
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Talvez pela primeira vez na história da competição uma saída teve “aviso prévio”. Gabriel recebeu o “toque” de Tadeu Schmidt sobre seu comportamento abusivo com Bruna Griphao e teve nove dias de sobrevida na casa. Entretanto, usou o período para se isolar e tentar ganhar a compaixão do público com a narrativa de “homem em desconstrução”.
A plateia não caiu na estratégia de Gabriel, que decidiu jogar tudo para o alto na véspera do Paredão, distribuindo ofensas racistas e gordofóbicas contra Bruno. O chorume provocou repúdio de espectadores, personalidades e até patrocinadores do Big Brother, como a Pantene no tweet abaixo:
O relacionamento preconceituoso e tóxico de Gabriel com os demais participantes do BBB 23 destoava do restante dos conflitos da casa. Ele tentou colocar Bruna contra sua melhor amiga, Larissa. Ele fez o público esquecer como Bruno é chato. Ele preferiu ferir direitos humanos a jogar limpo e tentar uma saída digna.
Aliás, pode-se dizer que Gabriel deixou o BBB no lucro, porque não sofreu rejeição (nota da coluna: a condescendência com o homem branco precisa acabar). A porcentagem pode encorajar o ex-brother a continuar sendo quem é (se quiser agradar a uma parcela repugnante da audiência).
Nos últimos anos, o Big Brother Brasil vem sofrendo com a discussão de crimes e preconceitos. O que era para ser um jogo de convivência tornou-se palco para assédio, tortura psicológica, racismo, machismo e LGBTfobia. O problema está em “discutir” o indiscutível. Nas redes sociais, perdem-se horas e neurônios debatendo se comparar cabelo crespo a grama é discriminação racial. É.
Já passou da hora de o BBB aumentar a rigidez contra abusadores e extremistas. BBB 23 é Cezar Black e Tina brigando por peruca. É Larissa falando “truce”. É Fred Nicácio menosprezando os outros sem saber que vai cair em breve. É o entretenimento que Gabriel nunca entregou. Que o jogo recomece.
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